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Novos Elementos 114 e 116: Flerovium e Livermorium

Publicado originalmente em 19/12/2011
Hora de atualizar sua tabela periódica: Flerovium e Livermorium estão aí.

No dia primeiro de dezembro, aconteceu em Bruxelas, Bélgica, a cerimônia de encerramento do Ano Internacional da Química. E a principal novidade é que nessa cerimônia foram anunciadas as sugestões para os nomes dos novos elementos de números atômicos 114 e 116 descobertos neste ano. 

Os dois novos elementos foram reconhecidos pela IUPAC em junho, alguns anos após serem sintetizados no Laboratório Flerov de Reações Nucleares em Dubna, Rússia, por meio da colisão de núcleos de átomos mais leves. A descoberta dos elementos é fruto da parceria entre o Joint Institute for Nuclear Research (da Rússia) e o Lawrence Livermore National Laboratory (dos Estados Unidos). 

O nome do elemento 114 - Flerovium, símbolo Fl - é uma homenagem ao físico russo Georgiy N. Flerov (1913-1990), autor da descoberta da fissão espontânea do urânio, pioneiro no campo da física dedicado ao estudo de íons pesados e fundador do instituto russo supracitado. 
O elemento 116 - Livermorium, símolo Lv -, por sua vez, faz menção ao nome do laboratório americano envolvido e à cidade em que está sediado, Livermore, nas proximidades de São Francisco. Os nomes ainda não são oficiais, mas têm grandes chances de serem aprovados.

Acelerador de Íons Pesados no Laboratório Flerov





















Laboratório Nacional Lawrence Livermore

Um fato interessante a ser notado é que o Laboratório Lawrence Livermore foi criado durante a Guerra Fria, como parte do Projeto Manhattan, com o objetivo de desenvolver armas nucleares, portanto uma instituição extremamente contrária a antiga União Soviética, representada atualmente pela Rússia. A parceria Dubna-Livermore e o empenho de cientistas de ambas as nacionalidades é um símbolo da paz estabelecida entre os dois países envolvidos. 

Durante os experimentos foram sintetizados apenas poucos átomos de cada um dos elementos (não ao mesmo tempo), que, por serem extremamente instáveis duraram menos de um segundo cada. Não se tem muito conhecimento a respeito de suas propriedades, mas se fosse possível reunir vários átomos desses elementos e a julgar por seus grupos na tabela periódica, supõe-se que o flerovium (no grupo do carbono, silício, germânio, estanho e chumbo) seria um metal muito pesado e denso, ainda mais que o chumbo e que os compostos de livermorium (no grupo do polônio e do telúrio), este último um elemento bem malcheiroso, seriam literalmente os mais fedidos da tabela periódica. Tente imaginar o livermorídio de hidrogênio, por exemplo...